Buraco Negro



Nota prévia.: Questionei-me se deveria publicar aqui este tipo de divagações... Depois alguém me lembrou do nome deste meu blog. Por isso mesmo, sinto ainda mais que devo resumir aqui tudo o que vim escrevendo ao longo de alguns anos sobre isto que se passa comigo de vez em quando.

"Alone, I often fall down into nothingness. I must push my foot stealthily lest I should fall off the edge of the world into nothingness. I have to bang my head against some hard door to call myself back to the body." Virginia Woolf

Buraco negro (e outros...)
Há dias em que sinto o universo... o peso da atmosfera terrestre, a solidão do espaço vazio, a gravidade dos buracos negros e a tensão acumulada em falhas sísmicas.
Uma verdade é que todos temos momentos maus. Há certos dias em que certas coisas na vida não correm bem. Outra verdade é que nem todos lidamos bem com isso e eu incluo-me nessa multidão. Deste modo, talvez por ter sensores de pressão mais sensíveis, é bastante nítido que estou envolta numa atmosfera que se torna palpável e o peso que ela exerce sobre os meus ossos torna-se mensurável.
Em momentos assim, reconheço, com bastante desalento, o vazio que me engole com veemência. Isto porque o espaço que nos envolve, refiro-me ao universo, está preenchido pelo vazio. De modo a contrariar este efeito, tento rodear-me de pessoas.
Muito sinceramente, os dias melhores dão-se exatamente quando quem está à minha volta me permite, mesmo que inconscientemente para si, distrair-me da minha mente. Aí, genuinamente, deixa de ser percetível esse buraco negro. Quase não o vejo. Julgo-me até próxima de parar de ser afetada pela sua gravidade. Fora dessa rota de impacto.
Sem rigor, mas com esperança, afirmo que a balança, que mede a qualidade dos meus dias, cada vez mais pende para esse lado positivo. Honestamente, em tempos vi-me excessivamente a pender para o lado oposto, daí ser ainda mais natural esta perspetiva favorável e confiante. Admiravelmente, em ocasiões extremamente otimistas, quase me atrevo a testemunhar que observo a escuridão à distância, tanto temporal como espacial, a ponto de me imaginar apenas deitada sobre um relvado florido, observando uma noite estrelada.
Todavia, não me permito fugir muito à realidade. Sei que a falha está lá. Tenho a certeza que voltará a fazer tremer os meus alicerces. Simplesmente ainda não cheguei ao ponto de prever com exatidão quando será o próximo abanão, apesar de já ter evoluído no sentido de me aperceber mais facilmente dos sinais que me vão chegando.
Aliás, devido a tudo o que experienciei ao longo do tempo, creio-me capacitada para domar estas interpretações; ganhei um certo calo, assimilando atitudes através das quais é possível ajustar o meu foco, obrigando-me a torná-lo mais amplo, ou seja, a abrir os horizontes.
Desta maneira, felizmente, de momento, consegui ter mão nesta corrente de pensamentos. Por isso, achei por bem escrever isto numa circunstância em que me encontro meramente a observar até onde caminho, visto que assim é-me mais fácil descrever o que se passa quando passo por estes episódios. Pois na maior parte destes sucedimentos, o meu julgamento fica um pouco alterado e disperso demais para fazer sentido dele. 

Beatriz Santos
(30/12/2017)

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