Jornada




Estou tão acordada. O meu corpo está cansado, mas a minha mente está tão desperta. Não me permito adormecer. Aliás, tenho medo de adormecer mesmo, embalada pelos movimentos constantes do comboio em que sigo, e perder alguma coisa; falhar o cruzamento acertado, nesta viagem que a vida é, indo ter ao destino errado. Preciso de algum guia...
De facto, acho que ao fim de algum tempo de carris, de linhas paralelas, encontramos companheiros de viagem que nos acompanham, alguns durante apenas alguns quilómetros e outros acabam por ir connosco para sempre; alguns mudam as suas rotas por nós, bem como nós o fazemos por eles.
Uns dos melhores companheiros de viagem serão momentâneos, cruzam-se no nosso caminho por acaso, entram na mesma carruagem do que nós bastante inesperadamente, e do mesmo modo que aparecem, também acabam por desaparecer.
Entretanto acumula-se saudade na bagagem. Ela, bem como todas as vivências ao longo da jornada desaceleram-nos, fazem-nos querer seguir por outras linhas, tomar outras rotas, conhecer outros caminhos, os quais nunca pensámos pisar. Esses serão os melhores cruzamentos, os que nos reformulam o mapa e até o alargam um pouco.

Outubro 2017

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