Destino: Aveiro

Com a chegada do fim, esta é a história do início…
Estando o primeiro ano de universidade a acabar, não posso deixar de relembrar o sopro que me trouxe até à cidade dos canais… A conversa oportuna que fez as minhas ideias darem uma volta de 180º - literalmente, não estou a brincar, mais à frente perceberão…
Decorria o mês de Julho, já a página das candidaturas assombrava os inocentes alunos do secundário, que consideravam que a pior tempestade se chamava “exames nacionais” e assumiam a IAVE como primo próximo do Diabo, página essa que me andava a tirar o sono e na qual eu ainda não tinha tido coragem de meter a vista em cima. Isto explicava-se pelo facto de as minhas decisões terem normalmente consequências pouco favoráveis, com desfechos nada parecidos com os que eu desejaria - estou a exagerar, mas assim tem mais impacto -, então andava a adiar a minha escolha, que seria muito provavelmente Lisboa, visto que, para mim, quanto mais afastada de Coimbra ficasse, melhor!
Até que certo dia, durante uma festa de aniversário de uma grande amiga do secundário, aconteceu um diálogo interessante no qual se teceram comentários bastante elogiosos - julguei que este seria um neologismo, mas afinal a palavra já existe, eu verifiquei - tanto sobre a cidade de Aveiro, como sobre a universidade, e ainda sobre os cursos de ciências que lá eram lecionados. Isto foi um imprevisto no destino, porque eu tinha mesmo a rota apontada para Sul, para bem longe de Coimbra (que é a cidade mais conhecida no meu distrito e que não coincide com a minha morada, já que, na realidade, eu vivo num fim do mundo, muito bonito por sinal, que fica tão longe da cidade dos estudantes que se torna mais perto ir de Aveiro até Coimbra do que ir da minha terrinha até Coimbra - também verifiquei isto e é totalmente verídico).
No entanto, a Universidade de Aveiro foi tão bem gabada, que fez com que eu passasse algumas horas a pesquisar e a pensar sobre tudo e mais alguma coisa relacionado com este novo ponto de chegada possível. Após recolha de informação e muita discussão entre o protão e o eletrão que me habitam a mente - a maioria das pessoas terá um anjinho e um diabinho, mas eu gosto de ser diferente -, a direção apontada pela minha bússola mudara. Agora Norte era o rumo a seguir, estando eu desta vez tão convencida que seria a melhor decisão a tomar, que logo acedi à página dos terrores, onde coloquei, com determinação, Biologia em Aveiro na primeira opção - tal como se diz, “se rima é porque é verdade!”
Olhando agora para trás, tenho já a certeza que a sensação de estar a fazer a escolha mais acertada que previ naquela altura, estava efetivamente a espelhar a realidade. Sendo que esta foi uma das melhores decisões que já tive de tomar na minha vida e que será para mim um orgulho usar o traje preto característico da universidade deste distrito, em detrimento do preto do meu distrito, pois apesar de partilharem a cor, há que perceber que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!
Assim, digo agora com satisfação que, felizmente, não velejei até ao rio Tejo, mas, atraquei com sucesso (algum, qb) na ria de Aveiro - que é, na realidade, uma laguna costeira estuarina; biólogos percebem, restante povo nem perguntem… E ainda acrescento: está mesmo a ser uma boa viagem!
Beatriz Santos
(26/05/2017)

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