Três tristes tempos


O tempo é um bicho de sete cabeças. Esta é a segunda cabeça.

2. Três tristes tempos
O tempo no universo está construído numa linha contínua, com apenas uma direção, o que nos impede de viajar nele, indo ao passado ou ao futuro, não nos dando a oportunidade de modificar erros que na altura nos pareceram ações adequadas ao momento, mas que agora sabemos que não foram as mais corretas; ou avançar na vida, até uma altura em que as condições em que nos encontramos sejam mais favoráveis (ou apenas avançar rápido naquelas alturas aborrecidas do dia).
De facto, a vida só acontece no presente. Este tempo é a única oportunidade para fazer alterações ou correções que poderão ter o mesmo efeito que podar uma videira para que esta continue a crescer corretamente e dê as melhores uvas possíveis. Desta maneira, conseguimos o que queríamos inicialmente, mas que, devido a decisões mal tomadas, tivemos de chegar a esse ponto por um caminho distinto do inicialmente definido.
Mesmo assim, nem sempre é fácil manter a mente presente no presente, pois ela tende a viajar entre tempos, seja através de memórias ou imaginação; estas são as únicas maneiras que temos de, de certa forma, reviver e viver o passado e o futuro, respetivamente.
Claro que há uma margem de erro e nem sempre nos lembramos das coisas exatamente como elas aconteceram, chegando mesmo algumas delas a serem apagadas completamente das nossas memórias; e também o futuro é raramente como imaginamos, havendo até a possibilidade de ele não existir de todo - mas isso é outro texto.
Assim, vêmo-nos obrigados a contentar-nos com o presente, o tempo que temos para realmente viver, tornando-se, por esta perspetiva, o passado e futuro inexistentes, pois não podemos efetivamente fazer nada neles.
No entanto, mesmo não podendo fazer nada neles, podemos fazer algo com eles, pois, de facto, olhar para o futuro é a única maneira de fazer o presente valer a pena e olhar para o passado é a única maneira de fazer o presente ter sentido.

Beatriz Santos
(07/07/2017)

PS: No título só coloquei três tristes tempos como referência ao trava-língua "três tristes tigres" e não porque considero que eles sejam, de facto, tristes (quer dizer... salvo exceções).

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