Vozes da arte



"Ai foi Deus [(...)] deu-me esta voz a mim." Amélia Rodrigues, Alberto Janes

Algo que os artistas tendem a dizer quando são questionados acerca da fama e do reconhecimento público é que eles se sentem apenas como pessoas normais que têm um trabalho como qualquer outro, mas que por acaso consiste em fazer arte para o público, pelo que se tornam mais famosos. No entanto, apesar de perceber o que eles pretendem dizer com isso, não sinto que estejam totalmente corretos.
De facto, aquilo que fazem é a sua profissão, tal e qual ser médico ou professor. No entanto, nestas profissões que não caiem sobre domínios de entretenimento, as pessoas que alcançaram algo notável nas suas áreas não são reconhecidas ou aplaudidas na mesma magnitude pelas plateias, sendo meramente áreas menos notáveis nesse aspeto (mesmo que estas sejam tão ou mais importantes).
Assim, dá-se mais destaque a estes seres que, pelo seu ofício, nos provocam sentimentos (sejam eles de qualquer tipo) distintos consoante a mente de quem os perceciona ou do estado de espírito de cada um, tornando-os, por isso mesmo, diferentes e, de certa maneira, mais especiais do que outros profissionais de trabalhos ditos normais.
Desta forma, simultaneamente à escrita deste texto, tenho o privilégio de estar a ouvir várias vozes e instrumentos ao vivo que enquanto tocam notas e cantam letras de músicas, algumas das quais eu nem conhecia, me inspiram e me obrigam a eu própria dizer coisas.
São, então, estas as pessoas que merecem valorização, que merecem ser ouvidas, pois mesmo achando que todas as vozes têm direito a ser escutadas, há algumas às quais devemos efetivamente dar atenção.
Tendo em conta que elas, as vozes que nos tocam, não são iguais para todos nós, devemos encontrar e perceber ao longo da nossa vida quais são as que desempenham esse papel connosco, não nos deixando influenciar pelo que é mais publicitado e comercializado. Sejam elas vozes cantadas, escritas, desenhadas, entre outras, independentemente do tipo, sendo até permitido a invenção de novos moldes ou mesmo considerarmos arte algo que à partida não se julgaria sê-lo, elas têm obrigação de ser harmoniosamente expressas, bem como de ser devidamente recebidas.
Portanto, concluo a minha dissertação pelo mundo dos artistas pedindo que sempre vozes falem, bem como sempre vozes sejam ouvidas, especialmente as de quem sente que tem algo para dizer e quem sente que precisa de ouvir algo.

Beatriz Santos
(28/07/2017)

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