"Tive
uma sensação estranha na cabeça ao descontrair na cama. Era como se o
meu crânio fosse de algodão, ou fosse um pequeno balão cheio de ar.
Sentia espaço no crânio. Não conseguia compreender. Não demorei a
deixar de me preocupar. Sentia-me confortável, não estava em agonia."
Factotum, de Charles Bukowski
Há dias estranhos, em que
mesmo acordando tarde e dormindo muito, dá-me vontade de manter os
olhos fechados e ignorar as minhas obrigações para com o mundo. Nessas
alturas, quase parece que me esqueço de respirar e, no fundo, não tenho
vontade de o fazer. Mesmo assim, obrigo-me a continuar esse ciclo de
inspirações e expirações, até mesmo de forma consciente, para me
certificar que ainda consigo, que ainda estou presente.
No caso de
hoje, apenas me deitei no chão, sentindo-o frio debaixo de mim. Olhei o
teto branco do meu quarto, procurando alguma lógica entre os meus
pensamentos e as minhas ações, mas a única coisa que fez sentido foi "do
chão não passo", por isso, a curto prazo essa foi mesmo a solução mais
indicada para o meu problema.
A verdade é que, a maior parte das
vezes em que isto acontece, apenas percebo que a tempestade paira sobre
mim quando já sinto as pingas fortes a cair do céu, pelo que raramente
tenho conhecimento de qual direção vieram as nuvens. Mas é isso mesmo
que eu preciso de saber: qual a origem destes pensamentos. Porque quase
sempre me parece que fico assim por causa de nada ou por causa de tudo
ao mesmo tempo, tornando-se difícil lidar com o assunto.
Por isso,
ultimamente, quando me sinto assim, tento perceber o que me está
efetivamente a deixar assim. Às vezes não é difícil descobrir a causa
destes estados de espírito. Outras vezes descubro a razão, mas custa-me
aceitá-la, porque, sinceramente, de vez em quando, fico mal por coisas
que não deveriam importar, mas acontece...
Depois de perceber o
que realmente se passa, no meu caso, gosto de falar com alguém. Dessa
forma consigo organizar mais facilmente os meus pensamentos e encontrar
soluções para os meus problemas mais rapidamente, ouvindo as suas
opiniões (isto pode também servir para encontrar a causa do problema,
depende). Quando não tenho ninguém para me aturar, escrevo o que me vai
na cabeça. O importante para mim é não ficar a remoer no assunto,
exteriorizando qualquer negatividade que sinta.
A maior parte das
vezes, seguindo estes passos consigo ficar melhor. No entanto, cada caso
é um caso, tenho noção que talvez isto não resulte sempre nem com
todos, mas comigo funciona e por isso achei que devia partilhar.
Beatriz Santos
(21/08/2017)



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