Quanto mais direita for a linha do horizonte à minha frente, melhor me sinto ao olhar para ela. Dei-me conta disto durante uma viagem de comboio, na qual vi pela janela um praia à distância... Mas calma! Estou a ir de inter-cidades e suprimir detalhes quando deveria ir de regional para explicar todos os pontos da situação.
Assim sendo, começo pelas cidades. Independentemente de qual me esteja a referir, esta terá sempre edifícios altos, muitas pessoas, automóveis, ruído... Portanto, sem eu dar um exemplo específico, imaginem-se numa rua dessa cidade a olhar para o horizonte. Vêem pouco dele, não é? Devido a toda a obstrução, o olhar encontra pouco espaço que pode observar, estando bloqueado àquela distância mínima de alguns metros. Por isso, também eu me sinto dessa forma quando me encontro num desses espaços sobrecarregados de pessoas (especialmente em Agosto...).
De seguida dirijo a minha atenção até às aldeias. Neste lugar mais recatado, mais aberto, começo a sentir-me mais solta. Quando procuro o horizonte já o encontro mais distante, bem como mais direito. Aí sinto-me mais à vontade, tanto comigo como com o que me rodeia. Consigo, em certos casos, observar o espaço mais amplamente e, até mesmo, a natureza à minha volta está presente.
Mas, isto é experienciado a um maior nível na minha próxima paragem: a praia. Aí, quando olho para o longe, que é bastante longe, não há que enganar! Esse é o epítome de tudo o que eu preciso para me sentir bem: o silêncio apenas afetado pelo som das ondas, o vento a insistir em tirar-nos o cabelo do sítio, as cores claras e calmas, tudo em harmonia.
No entanto, mesmo sem estar em nenhum destes lugares, parece-me que estou neles, metaforicamente, dependendo do momento da minha vida em que me encontro. Há dias em que me parece estar rodeada de prédios altos, cujo espaço entre si torna as ruas apertadas, causando-me um grande incomodo. Muito pelo contrário, também há ocasiões em que estou tão bem e tão para cima que é como se visse apenas a linha do horizonte, completamente reta, à minha espera, a chamar por mim. Estes últimos são os melhores dias, os quais têm a capacidade de me impedir de lembrar o que a vida é exatamente, juntamente com as pessoas que me acompanham e que me distraem. Em momentos como estes, o que está a acontecer torna tudo tão relativo na vida e tão mais fácil.
Posto isto, julgo que nesse dia da viagem ao Porto, quando li na mensagem para olhar para a janela do comboio após a estação de Espinho, juntou-se o sentimento causado em mim ao ver a praia, com a certeza que aquele seria um dia muito bom. Isto gerou uma afluência tão grande felicidade na minha pessoa, que me senti uma criança a ver o mar pela primeira vez. Espero voltar a sentir aquela profunda imensidão azul brevemente.
Beatriz Santos
(06/06/2017)
PS: A foto não foi tirada na praia referida no texto. Tirei-a num outro dia bom em que fui à Costa Nova, em Aveiro.
PS: A foto não foi tirada na praia referida no texto. Tirei-a num outro dia bom em que fui à Costa Nova, em Aveiro.



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