Soprar fósforos


"Today is the oldest you've ever been, and the youngest you'll ever be again." Eleanor Roosevelt

Quarta cabeça do tempo, um bicho de sete cabeças.

4. Soprar fósforos
Há diferentes maneiras de contabilizar o tempo. Quando era mais nova era-me mais prático e lógico contar os anos-letivos (de Setembro a Agosto). Mais tarde passei a guiar-me nos anos como se vê nos calendários (de Janeiro a Dezembro). E agora meço-os de Outubro a Outubro, isto porque esse é o mês em que faço anos (YAY!! não...).
Francamente, eu não dou nenhum valor especial ao meu aniversário simplesmente por este ser o dia em que nasci. Não me entusiasmo com os parabéns (só gosto dos abraços que lhes estão inerentes), as prendas ou com soprar as velas - aliás, já nem me lembro bem quando foi a última vez que foram acendidas velas nesse meu dia. No entanto, não me importo muito com isso que não faço porque, ultimamente, sopro fósforos e como pizzas em vez de bolo de anos para festejar, é um tradição mais original...  Mas não me interpretem mal! Não sinto que seja um dia insignificante, apenas arranjei outro significado mais meu para ele.
Na realidade, para mim a importância deste dia está na recordação da transição que acontece diariamente, mas que no aniversário se torna numa marca efetiva: deixamos de ter uma idade e passamos ao ano seguinte, ao ano superior, pois é um facto que todos os dias envelhecemos e nunca seremos mais jovens do que o que somos no momento, só que em dias normais é fácil esquecer isso. Esta verdade é apenas realmente sentida quando deixamos de dizer que temos uma certa idade e lhe acrescentamos um, mais especificamente como há um ano (mais coisa, menos coisa) eu deixei de dizer "tenho 17" e passei a dizer "tenho 18". E como eu ouvia falar bem dos 18, "a idade mais desejada!" Claro que eu não acreditava em nada disso... Era uma idade como todas as outras, certo? Errado! É óbvio que foi completamente coincidência ter sido há cerca de um ano o dia em que atingi esse nível de equilíbrio perfeito entre a juventude e a velhice.
No entanto, a verdade é que, este foi o melhor ano da minha vida, sem exagerar nem um bocadinho. Foi o ano em que me senti mais a viver a vida efetivamente e que a comecei a vivê-la da maneira mais à minha maneira possível. E apesar dos momentos mais negativos, o saldo geral é bastante positivo. (Eu ainda pensei fazer uma enumeração de acontecimentos relevantes para mim, mas este iria ficar um texto que demoraria um ano a ser lido...)
Para além disso, sinto que aprendi bastante. A propósito, uma das melhores lições, daquelas que ficam para sempre na memória, foi que a vida é difícil, isso é sem dúvida verdade e eu já o sabia, mas há pessoas que ta facilitam. É tão simples (e complexo) quanto isso...
Posto isto, algo que já meti na cabeça há uns tempos foi que cada ano tem de ser melhor do que o anterior. Por isso, mesmo com toda a nostalgia deste ano que está prestes a acabar, irei fazer de tudo para que o próximo seja ainda melhor, para que supere este em vários aspetos, já que, mesmo tendo este sido o melhor ano, foi apenas o melhor até agora e há sempre pontos a melhorar!

Beatriz Santos
(13/10/2017)

PS: Se eu envelhecesse um ano por cada vez que escrevi 'ano' neste texto, os meus cabelos brancos passariam a ser adequados.

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