Expectativas "evarésticas"



"Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better." Samuel Beckett

Aquando da escrita deste texto, o calendário marca a madrugada de 14 de Setembro de 2017. Ontem começou oficialmente o meu segundo ano na Universidade de Aveiro e as minhas expectativas em relação ao que poderá acontecer este ano letivo não poderiam estar a uma maior altitude, praticamente "evarésticas". E, tendo em conta que a probabilidade de uma desilusão ocorrer é diretamente proporcional ao aumento das esperanças que tenho, penso que corro um grande risco de andar a apanhar cacos quando Junho chegar.
A verdade é que cada vez tenho mais noção que sempre esperei muito da vida, muito mais do que devia ou que ela alguma vez me permitiria alcançar. Digamos que tenho sempre as expectativas muito elevadas, ou melhor, demasiado elevadas. Pelo que é fácil desiludir-me comigo própria.
Assim sendo, considero que isto poderá acontecer por duas razões aceitáveis (no sentido em que fazem sentido) e não aceitáveis (porque não deviam acontecer): tanto me desiludo porque queria efetivamente dar um passo maior do que a perna ou porque, mesmo sendo um passo atingível, não andei suficiente. Ou seja, há situações em que os meus objetivos são realmente irreais e, por isso mesmo, não os consigo tornar realidade por mais que queira. Pelo contrário, também acontece eu não me esforçar para fazer as coisas e obviamente elas não aparecem feitas, mesmo que eu tivesse toda a capacidade necessária para as fazer. (E a parte mais ridícula no meio disto tudo é que, a maior parte das vezes, eu sei perfeitamente em qual das situações me encontro. Mesmo assim, por alguma razão desconhecida, não mudo de atitude. Sendo que, é exatamente essa razão que eu procuro, pois só sabendo qual é o problema, terei oportunidade de o resolver.)
Posto isto e de acordo com a frase referida no início do texto, penso que é importante perceber que, quando me encontro na primeira situação (sim, porque a segunda não tem justificação válida, nem vou tentar...), não me devo sentir mal por não ser suficiente, mesmo estando a dar o meu melhor e não correr como planeado. Neste caso, o importante é não desistir e insistir, principalmente quando quero mesmo muito chegar a essa tal meta. Por isso mesmo dou valor aos persistentes, aliás, costumo dizer que a vida é dos persistentes! E, aos que tentam, que falham, que não conseguem e mesmo assim não desistem, os meus parabéns, ensinem-me a ser assim...
Por fim pronuncio-me acerca da esperança, a última a morrer e, pelos vistos, a última a ser falada. Essa que muitas das vezes me magoa, pois normalmente só me faz perder tempo a tentar fazer coisas acontecer que tenho noção que nunca acontecerão... Também ela me empurra para a frente. Isto porque expectativas elevadas são a minha motivação, essas expectativas são essencialmente os meus objetivos.
Bem... Só me resta dizer que desconfio que esta dissertação toda serve apenas para relembrar a mim própria que tenho uma lista enorme de coisas que quero fazer durante este próximo ano letivo e não sei se terei efetivamente tempo para fazer tudo, mas também não quero não fazer coisas por falta de tempo. Nem quero deixar passar estas oportunidades por medo de não conseguir, mesmo que afinal fosse capaz. Por isso, vou tentar e dar o meu melhor (e continuar a fazer figas para que tudo corra como eu quero) e depois logo se vê... Pois falhar sem tentar não é falhar, é desistir!

Beatriz Santos
(14/09/2017)

PS: Corram! Mesmo os que se fiam na Virgem.

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