Desarmonia
Começa por ser um simples ruído agudo. Um som cortante. Procuro a sua origem. Aproximo-me, enganando-me pouco no caminho, pois o tinido é inconfundível. Vai-se aclarando o tom. Assemelha-se a uma pessoa angustiada. Solta gritos constantes. Lancinantes. Angustiantes.
As minhas mãos erguem-se ao redor do meu crânio. Obrigo-me a tapar os ouvidos. Ajuda pouco. Agora o barulho aparenta estar mais próximo, na minha vizinhança. Fecho os olhos com o impacto da onda vibrante que me fustiga os tímpanos.
Tento habituar-me ao tumulto. Prossigo o meu caminho. Retomo a esmiuçar o espaço. O brando mantém-se audível, mesmo após tentativas de bloqueio. Parece-me familiar...
É vital parar o alarido! Rapidamente! Mas o esforço persiste com os mesmos resultados.
Encosto-me por momentos a uma parede do quarto onde estou. Dou-me conta que ela berra, agora diretamente para mim. Assusta-me. Apercebo-me, então, que se tratam de duas paredes opostas. Brigam incessantemente.
Encosto-me por momentos a uma parede do quarto onde estou. Dou-me conta que ela berra, agora diretamente para mim. Assusta-me. Apercebo-me, então, que se tratam de duas paredes opostas. Brigam incessantemente.
Insultos são atirados de lado para lado, sem qualquer respeito pela casa que constituem. Que flagelo...
Indelicadeza destas almas aqui presas numa construção firmada de betão.
Encontro refúgio numa qualquer melodia que tenho ainda capacidade de escutar. Foco toda a minha atenção na harmonia musical, díspar da desafinação das vozes que já se fazem ouvir a plenos pulmões. A lírica da sinfonia concede-me um amparo adicional e principalmente complementar. Compenetro-me momentaneamente em cada verso, acatando os passos que me aconselham a trilha sonora.
Ainda assim, sinto-me impotente, a lutar contra um desmoronamento inevitável. Só a opacidade me acalma, na garantia que estas paredes não refletem quem as ouve.
Indelicadeza destas almas aqui presas numa construção firmada de betão.
Encontro refúgio numa qualquer melodia que tenho ainda capacidade de escutar. Foco toda a minha atenção na harmonia musical, díspar da desafinação das vozes que já se fazem ouvir a plenos pulmões. A lírica da sinfonia concede-me um amparo adicional e principalmente complementar. Compenetro-me momentaneamente em cada verso, acatando os passos que me aconselham a trilha sonora.
Ainda assim, sinto-me impotente, a lutar contra um desmoronamento inevitável. Só a opacidade me acalma, na garantia que estas paredes não refletem quem as ouve.
Abril 2018
Beatriz
Beatriz



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