(Re)encontros


"I've learned that people will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel." Maya Angelou

(Re)encontros
No meio de toda a aleatoriedade inerente ao espaço e ao tempo e apesar da quantidade ininteligível de indivíduos que existem no mesmo aqui e agora que cada um de nós, surpreende-me a ocorrência de conexões intensas entre duas pessoas. Estes vínculos não se determinam apenas pela afinidade, mas também por uma necessidade de partilha de experiências, que resultam numa felicidade que transborda para mais do que apenas o presente. A ligação é assim fomentada e cimentada, tornando-se duradoura.
Porém, há um certo caos nestas relações interpessoais. Pois, embora o apego seja profundamente sentido, tão depressa se constroem como se quebram os laços. Estes podem ser fragilizados pelo simples decorrer da vida, uma vez que as vontades de ambos nem sempre serão congruentes, o que por vezes leva a afastamentos, que são potencialmente inevitáveis dependo do nível de importância do outro.
Contudo, não permanecendo a pessoa, restam as memórias. Essas agarram-se a nós, aos nossos olhos, mantendo-os abertos noite dentro, por vezes ensopados. Nesses momentos, eu opto por uma perspetiva positiva: pelo menos aconteceu. E, apesar disso não cicatrizar a ferida, ajuda a tapá-la, solucionando o problema provisoriamente, enquanto a mente vagueia na direção da saudade. Simultaneamente, facilita acreditar num futuro reencontro, mantendo a esperança de que o impacto causado tenha sido sentido mutuamente, tendo o universo de cada um ficado um pouco diferente pela presença do outro.
Pessoalmente, eu dou muito valor a esses episódios de nova convergência. Isto porque ter oportunidade de conhecer alguém é, até certo ponto, fruto do acaso, contudo decidir manter essa pessoa na vida e, principalmente, ir ao seu encontro quando inconvenientes já tinham levado à separação tem de ser considerado especial, uma vez que é uma demonstração efetiva do impacto sentido. Nestas situações, especulo que, como as lembranças já não eram suficientes, seria imperativo registar novos momentos juntos. Nessa altura, talvez não seja como dantes, pois a vida desgasta as peças do puzzle e elas podem não encaixar tão adequadamente como outrora.
Ainda assim, sou movida pela esperança de que através de tolerância e compreensão mútua, a adaptação poderá ser possível; bastará que o desejo seja mútuo, de modo a atingir-se novamente a confiança essencial para a relação resultar. Visto que raridades como estas não deveriam ser postas de lado com desvios no caminho.

Agosto 2019

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