A pressa dos ponteiros


O tempo é um bicho de sete cabeças e cada uma delas é um problema com que o ser humano enquanto ser pensante e efémero tem de lidar. Todos esses problemas me tiram o sono, uns mais frequentemente do que os outros, mas, esta noite, um deles está a ser mais evidente, o que me levou a querer registá-los, dando a cada um deles um nome, domesticando-o aos poucos (afinal o tempo é um bicho, não foi o que eu disse?).

1. A pressa dos ponteiros.
Ultimamente, tenho olhado mais para o relógio, dando-me conta da velocidade demasiado grande a que os ponteiros se movem, ignorando qualquer vontade que tenho de que eles abrandem por momentos. Aliás, apenas são vagarosos quando eu menos quero e preciso, mostrando-se bastante inconvenientes.
Acho que isto acontece porque, tal como se diz, o tempo é relativo e quando estamos entretidos com a vida, as horas passam e nem damos por elas, no entanto torna-se estranho e assustador a um certo nível que tenham passado semanas e até mesmo meses quando me parece que passou muito pouco tempo... De facto, tenho andado ocupada de uma boa maneira com tudo o que se passa ao meu redor, embalada pelos acontecimentos que se têm sucedido, pelo que talvez ande absorta ao ponto do relógio me ludibriar tão facilmente.
Contudo, saber o que me traz iludida nestas questões temporais não é suficiente para me deixar descansada em relação a elas, visto que não consigo arranjar maneira de controlar tanto a minha mente como os ponteiros, de modo a que isto não ocorra - saber a causa, não ajuda a reprimir os efeitos e muito menos a arranjar soluções para o problema, o que torna tudo ainda mais inquietante.
Assim, como não tenho uma maneira de ultrapassar agora este obstáculo, escolhi apenas ignorá-lo momentaneamente - penso nele, procurando forma de deitar esta parede a baixo, mas não é uma prioridade para mim. Francamente, nunca andei com relógios no pulso e talvez, inconscientemente, tenha sido sempre essa a razão...

Beatriz Santos
(13/06/2017)

PS: se futuramente arranjar uma ferramenta forte o suficiente para partir este muro, irei patentear a ideia antes de a partilhar, porque algo me diz que a passagem rápida do tempo é um contratempo para muitos.

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