Imensos quilómetros de estrada separam-me de pessoas que no passado estiveram bem próximas de mim, aliás, alguns quilómetros de água também, já que entre mim e algumas delas existe um oceano, o Atlântico, para ser mais específica.
Isto acontece porque todos nós
nos vemos obrigados ao longo da vida, devido às mais variadas razões, a mudar
de sítio e a deixar pessoas para trás. Assim sendo, como este é um mal que nos afeta
no geral - até rimou -, tanto há situações em que é a nossa vez de deixar, como acontece nos
tocar a nós a permanência e a inerente despedida a alguém que irá migrar.
No meu caso, já estive (ou melhor, estou) nas duas
posições: deixei quando fui para a universidade e tive de largar a minha casa e tudo o que está dentro dela (familiares, cama e afins) e amigos - é a vida, nós crescemos e mudamos de sítio, acontece a todos; e fui deixada quando certa parte da família partiu, como muitas outras, em busca de melhores condições de vida - blábláblá, esta é aquela história da crise económica que já todos conhecemos - e também quando uma velha amiga mudou de país por essas mesmas razões referidas anteriormente (esta é uma daquelas amizades que já tem mais anos do que os dedos das mãos nos permitem contar). Contudo, apesar de já estar familiarizada há tempo suficiente com cada uma das situações para ter tido bastantes oportunidades de refletir sobre ambas, ainda não consegui concluir o que é pior: deixar ou ser deixado.
No entanto, apercebi-me que no final de contas acabamos por nos habituar aos sentimentos que nos assolam e que são semelhantes tanto num caso como no outro (saudades, principalmente), conformando-nos com a distância física e tentando esbater a distância emocional da melhor maneira possível.
Assim, apesar dessa separação física, não há separação emocional (infelizmente há, pois
apesar de muito tentarmos, nunca é a mesma coisa), mas mesmo assim considero que
há uma certa Pangeia sentimental que une pessoas em continentes diferentes e que de algum modo une portanto os próprios continentes - nem que seja só pela vontade que todos temos de estar mais perto de quem está longe, que quase move placas tectónicas!
Beatriz Santos
(22/06/2017)
Ps: Momentaneamente as pessoas a que me refiro decidiram regressar às origens e, sendo assim, resta-me agora largar a caneta e aproveitar enquanto posso falar com elas sem ser necessário qualquer tipo de intermediário na comunicação (internet, telemóvel, cartas - ainda alguém escreve cartas? -, entre outros).



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