Por isso, dei por mim, durante um desses momentos em que andava com a cabeça nas nuvens (momentos esses que acontecem a dar-lhe com um pau), a passar a pente fino essas mesmas frases que os nossos avós conhecem de trás para a frente, devido aos muitos anos a virar frangos, e descobri uma certa incoerência na lógica que está por detrás de uma delas, pois apesar de todas elas serem um pouco rebuscadas, na sua maioria, fazem sentido, aí dou o braço a torcer, no entanto neste caso, parece-me que meteram a pata na poça.
Decidi, portanto, arregaçar as mangas, dar com a língua nos dentes, ou melhor, com os dedos no teclado, e pôr os pontos nos i's. Aqui vai, sem estar com paninhos quentes!
1. "Estar mesmo à frente do nariz."
Com esta expressão quer-se dizer que deveria ser impossível não ver alguma coisa, pois isso estaria mesmo à nossa frente, no nosso campo de visão: "Estava mesmo ali, mesmo à tua frente. Como é que não viste?".
No entanto, meteram os pés pelas mãos e usaram uma parte do corpo que sendo, efetivamente, sempre possível de se ver, pois está constantemente no caminho entre os nossos olhos e o mundo, o cérebro escolhe ignorá-la, aliás, quando notamos a presença do nariz, até se torna um pouco estranho e algo incomodativo que ele lá esteja.
Trocando por miúdos, a lógica da frase contraria completamente a ideia que ela quer transmitir, pois se nem o nariz vemos e ele está sempre à vista, como veremos isso que é suposto vermos, isso que dizem estar mesmo à frente do nosso nariz?
Por isso, não me culpem por não ver o que está mesmo à frente do meu nariz!
No entanto, meteram os pés pelas mãos e usaram uma parte do corpo que sendo, efetivamente, sempre possível de se ver, pois está constantemente no caminho entre os nossos olhos e o mundo, o cérebro escolhe ignorá-la, aliás, quando notamos a presença do nariz, até se torna um pouco estranho e algo incomodativo que ele lá esteja.
Trocando por miúdos, a lógica da frase contraria completamente a ideia que ela quer transmitir, pois se nem o nariz vemos e ele está sempre à vista, como veremos isso que é suposto vermos, isso que dizem estar mesmo à frente do nosso nariz?
Por isso, não me culpem por não ver o que está mesmo à frente do meu nariz!
Bem, as cartas estão na mesa e é possível perceber que esta ideia tem pés e cabeça - alteração necessária da frase idiomática para que se adeqúe à situação.
Agora acho que o melhor mesmo é ir dar banho ao cão... E parar de chatear Camões, que a culpa não é dele... Espero que ele não leve isto a peito... (E talvez seja melhor parar de bater sempre na mesma tecla.)
Beatriz Santos
(16/06/2017)



Sem comentários:
Enviar um comentário