Elásticos e clássicos


Acho que isto começou a ser mais notado com o fim do secundário, momento em que cada um foi para seu lado, de olhos postos no futuro. No meio da mudança e da novidade, fui perdendo contacto com pessoas que outrora se tornaram importantes por uma ou outra razão. Separados pela distância, tanto física como, consequentemente, emocional o elástico da amizade que cada um de nós segurava a unir-nos foi ficando bastante esticado.
Em alguns tristes casos, o elástico extremamente esticado foi largado por alguns de nós, tanto por mim como por velhos amigos meus. Como seria de esperar, isto causou danos em ambos os lados, ou pelo menos do meu lado causou. Noutros casos, esse elástico não era tão forte como nós pensávamos e acabou por ele próprio ceder e se partir, quebrando-se assim a amizade que existia.
Na realidade, esta perda foi sempre acontecendo ao longo do tempo. Mesmo quando ainda estava na minha prévia escola (estive lá 6 anos), alguns dos meus antigos amigos iam deixando de ter um papel realmente importante na minha vida, assim como eu na deles. Mas já fiz as pazes com isso, pois considero que é justificável e perdoável, tanto na culpa que lhes toca a eles como aquela que é minha. De facto, as pessoas mudam e a vida acontece...
Mas deixando de falar de elásticos e passando para um tópico mais musical! Eu gosto de ouvir música. Posto isto, o que eu mais adoro fazer é encontrar bandas menos conhecidas, com músicas de todos os estilos que existem (mesmo todos, dependendo do estado de espírito). Faço-o porque gosto da novidade de ouvir boas músicas e também porque acho sempre interessante quando, após alguns anos ou meses, esses artistas conseguem o reconhecimento que merecem, mas principalmente faço-o pela novidade.
E porque é que isto tem a ver com os meus antigos amigos? Porque, apesar de me dar bastante gozo ouvir músicas novas, há algumas que por mais anos que passem eu vou gostar sempre de ouvir. Apesar de gostar de conhecer e fazer amizades com pessoas novas, há amigos que por mais anos que passem vou gostar sempre de rever. Talvez pareça que tenham caído no esquecimento, porque agora só falo de como são boas as pessoas que conheci neste último ano, desde que fui para a Universidade em Aveiro. Só que isso não é verdade.
A verdade é que se torna muito fácil para mim olhar para os anos que passei naquela escola e focar nos maus momentos, pois julgo que o ser humano tem essa tendência aborrecida de dar mais relevância a quem nos faz mal do que a quem nos faz bem. Talvez por isso o passado pareça pior do que aquilo que foi (por isso e porque eu sou uma pessoa muito exagerada no que toca a sentimentos!).
Mesmo assim, sei que haviam pessoas na minha vida antes de quem eu gostava muito e com as quais partilhei muitos bons momentos que espero recordar para sempre. Pessoas com as quais não quero perder o contacto, apesar de essa se ter mostrado uma tarefa mais difícil do que parecia ao princípio. Contudo, quando a vontade é mútua, é possível manter estas amizades à distância, mesmo que só seja possível estarmos juntos de três em três meses...! Aliás, mais fácil foi durante este verão, que acabou por se tornar a altura perfeita para os reencontros serem mais frequentes. E deixou-me muito contente por sentir que estava tudo muito parecido a antes.
Assim sendo, nestas amizades resilientes, espero que ninguém largue os elásticos, nem que eles se partam com o tempo, pois eu espero ouvir para sempre estes clássicos (e que clássicos que eles são!).

Beatriz Santos
(10/09/2017)

PS: Obrigada pelas boas memórias.

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