"I ride rough waters, and shall sink with no one to save me." Virginia Woolf, The Waves
As Ondas
Nesse vasto oceano onde flutuo, ondas erguem-se de tal maneira que me parecem ser inevitáveis e incontroláveis. Imagens de revolta e tumulto, numa desorganização sucessiva. Surgem mesmo aqui e agora, quase inesperadamente, quase sem aviso tapando o horizonte.
O frio percorre-me o corpo aquando da submersão. Água salgada ocupa as vias destinadas ao ar, sufocando-me de forma breve, mas intensa o suficiente para me aterrorizar. Nadar não resulta, nada ajuda a regressar à zona temporal da calmaria.
Quando o cansaço me trava os movimentos físicos, ocorre uma pausa nas minhas ações, que suscita uma reflexão a fundo na dificuldade. Reorganizo, então, a ondulação de pensamentos na minha mente, sendo-me possível visualizá-la simplesmente dentro de mim. Isto contribui para a minha capacidade de relativizar a situação por completo, com a certeza de me encontrar novamente em segurança, num local onde tenho pé.
Ainda assim, os movimentos que se apresentam perante mim perturbam-me e atrapalham a minha concentração. Pelo que, com vista a liberta-me integralmente, organizo a ondulação nestas linhas. Deito-a ao máximo para fora, resistindo aos arrastões da corrente.
Finalmente sinto o controlo e um certo distanciamento. Isto permite manter-me seca e motiva-me a resolver futuros sufocos.
Ainda assim, os movimentos que se apresentam perante mim perturbam-me e atrapalham a minha concentração. Pelo que, com vista a liberta-me integralmente, organizo a ondulação nestas linhas. Deito-a ao máximo para fora, resistindo aos arrastões da corrente.
Finalmente sinto o controlo e um certo distanciamento. Isto permite manter-me seca e motiva-me a resolver futuros sufocos.
Setembro 2019



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